Celino Cunha Vieira - Associação Portuguesa José Marti / Cubainformación.- No âmbito das conversações entre as delegações de Cuba e dos EUA, surgem agora uns quantos cidadãos americanos a pressionarem o seu governo, para que este introduza nas negociações o tema da recuperação ou indemnização sobre bens expropriados após a Revolução. 


Esta atitude não constitui uma novidade, pois a máfia instalada em Miami tem esse objectivo desde há mais de 50 anos, nunca se tendo conformado com as nacionalizações ou com a ocupação de propriedades que tinham sido roubadas ou adquiridas por baixo valor, em troca de favores dos governantes corruptos da época. 

A produção agrícola, maioritariamente dedicada ao cultivo da cana-de-açúcar, era totalmente dominada por empresas directa ou indirectamente ligadas aos EUA, sendo toda a produção canalizada e comercializada por este país, enquanto os trabalhadores eram explorados de uma forma encapotada de escravidão, porque a pouco ou nada tinham direito. Aliás, o desemprego rondava os 75%, pois só 25% da população activa tinha alguma ocupação, auferindo salários miseráveis. 

Como exemplo, uma das empresas nacionalizadas foi a Companhia Cubana de Electricidade - que de cubana não tinha nada – e que só fazia investimentos nas grandes cidades onde pudesse recuperar rapidamente o dinheiro aplicado, deixando as pequenas povoações sem esse serviço essencial. A deficiente electrificação do país pouco passava dos 50%, atingindo hoje quase os 100% e mesmo os lugares mais recônditos se não são servidos pela rede nacional, existem energias alternativas, como painéis solares ou pequenas hidroeléctricas. 

Os mesmos que agora reclamam indemnizações são os mesmos (ou os seus descendentes) que antes de 1959 mantinham um país em que só 15% da população tinha água corrente, que 65% dos médicos e das camas hospitalares estavam concentrados na capital e por isso a esperança de vida não ia além dos 62 anos, onde existia desnutrição e cerca de 27% morriam prematuramente por tuberculose e febre tifóide, ou que mais de 44% nunca tinham frequentado uma escola. 

Que moral tem aquela gente para exigir seja o que for, quando os recursos naturais e a riqueza gerada no país era distribuída por uma elite promíscua e sem qualquer tipo de humanidade? Com que direito se arrogam como credores, quando sempre roubaram aquilo que não lhes pertencia? 

Isto, já para não referir a ocupação abusiva desde há mais de 100 anos de um território que faz parte integrante da Nação Cubana, o saque dos fundos públicos, os prejuízos incalculáveis derivados do bloqueio económico, financeiro e comercial, para além das vidas humanas que não têm preço e que ao longo dos anos pereceram pelas acções e atentados terroristas perpetrados contra Cuba e o seu povo. 

Entre o deve e o haver, Cuba tem muito mais razões para poder exigir o ressarcimento do que lhe foi retirado, pois a única coisa que Cuba deve a essa gente é terem sido os verdadeiros motivadores para que se fizesse uma Revolução e isso sim, o povo agradece.

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