Celino Cunha Vieira - Associação Portuguesa José Marti / Cubainformación.- Quando há cerca de 10 anos o Presidente Raul Castro assumiu as mais altas funções do Estado Cubano, muito se escreveu e disse sobre o assunto, havendo até quem considerasse que se tratava de uma sucessão entre irmãos, omitindo o glorioso passado de Raul que toda a sua vida dedicou à Revolução, participando no ataque ao Quartel Moncada com apenas 22 anos de idade e estando sempre ao lado do Comandante-em-Chefe Fidel Castro.


Assumindo de forma responsável todas as funções que lhe foram atribuídas desde a Sierra Maestra até aos dias de hoje, Raul mostrou sempre elevada competência e ponderação, sabendo, com a sua simplicidade natural, trilhar os caminhos que a Revolução lhe destinaria. 

Com o seu estilo próprio e sem querer imitar ninguém, tem sabido dirigir os destinos do país de uma forma tranquila e com objectivos concretos, promovendo as reformas necessárias para o progresso e o futuro da Nação, sendo respeitado e admirado pela sua personalidade e não por ser irmão de quem é. 

Na última década muitas transformações se operaram e hoje é inquestionável o seu contributo para que novas relações existam com os EUA e a União Europeia, a abertura económica interna e as novas condições para o investimento estrangeiro, o reforço do prestígio de Cuba nas organizações internacionais, a consolidação das missões internacionalistas de ajuda a outros países carenciados e em tantos outros aspectos de especial relevância nacional e internacional. 

Numa demonstração de total desprendimento pelo poder, sabendo que ele é efémero e que o País está acima de vaidades ou interesses pessoais, Raul, tal como o fizera também Fidel, anunciou já que dentro de pouco tempo se iria afastar do poder e que não se recandidataria a novo mandato, cumprindo a sua recomendação de limitar a dois períodos consecutivos de cinco anos o desempenho de cargos políticos e estatais fundamentais, dando lugar às novas gerações que, segundo ele, estão mais que preparadas para dar estabilidade e continuidade à Revolução que muito custou a conquistar. 

A poucos meses de completar 85 anos e de monstrar uma excelente vitalidade física e mental, Raul decidiu que chegou a hora de passar o testemunho, embora, como se espera, continue disponível para ajudar com a sua vasta experiência quem lhe venha a suceder, pois novos e difíceis desafios serão necessários ultrapassar e os seus conselhos constituirão uma mais-valia para os novos governantes. 

Aqueles que só acreditam numa democracia assente em sistemas pluripartidários bem podem reconhecer que existem outras formas de organização com base no poder que emana directamente do povo e das suas organizações representativas, tendo sempre por objectivo a defesa dos interesses colectivos e da Nação. 

O criminoso e injustificado bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba há mais de 50 anos tem de acabar, porque a Revolução continua bem viva e nada a fará derrubar enquanto existirem homens e mulheres que por ela darão a vida se necessário for, dispostos a todos os sacrifícios para a defender. 

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