Celino Cunha Vieira - Associação Portuguesa José Marti / Cubainformación.- Organizado pela Embaixada de Cuba em Portugal com a colaboração da Empresa Empor, representante dos Habanos SA e detentora da prestigiada marca portuguesa "Casa Havaneza", realizou-se há dias a 10ª edição do "Habanos Day", evento que já se tornou uma referência para os apreciadores de puros habanos a nível nacional e internacional.


Este evento, presidido pela Senhora Embaixadora Mercedes Martinez que destacou a comemoração dos 500 anos da cidade de Havana e o centenário das relações diplomáticas entre Cuba e Portugal, teve como um dos principais oradores Oscar Ricote, Director de Qualidade de Havanos SA que se deslocou a Portugal propositadamente, tendo efectuado uma excelente apresentação sobre todo o processo de feitura de um habano, desde a preparação da terra até ao consumidor final.

Tivemos assim oportunidade para uma pequena conversa com Pedro Ramos Rocha, Director-Geral da Empor, o qual nos explicou as origens deste evento que teve como inspiração, embora que em ponto reduzido, o maior evento mundial que se realiza anualmente em Cuba durante uma semana, o "Festival del Habano", tentando em Portugal reproduzir apenas num só dia essa experiência, transmitindo aos participantes a cultura e as tradições cubanas.

C – Segundo sabemos, de ano para ano tem vindo a aumentar o número de participantes. No ano passado foram 180, este ano que número se atingiu?

PR – Este ano tivemos mais de 200 participantes.

C – Notou-se uma maior participação feminina em relação a anos anteriores. Isso revela que também existem mais consumidoras?

PR – Eu não diria "consumidoras" mas sim aficionadas e amantes da cultura cubana. O "Habanos Day" é o maior acontecimento nacional relacionado com a cultura do charuto, evidenciando uma atmosfera única e excepcional, sendo isto o que atraí novos participantes a este evento.

C – No "Havanos Day" colaboram outras empresas, principalmente as que representam as bebidas com que se fazem as "alianças" e estando em Portugal, o vinho do Porto não poderia faltar. Que características tem esta bebida para potenciar o prazer de fumar um habano?

PR – Escolher um habano é uma questão de dia, local e estado de espírito. As possibilidades de combinação são inúmeras, tudo depende única e exclusivamente do gosto pessoal do aficionado. O vinho do Porto e os habanos são produtos da mais elevada qualidade que partilham entre si as suas origens típicas e o amor e dedicação com que são produzidos; dois produtos únicos e inigualáveis.

Regra geral, o cenário mais tradicional para seleccionar uma maridagem "perfeita" é propor dois produtos de fortalezas similares, para assim garantir que nenhum dos 2 anule o outro. Considerado por muitos apreciadores uma excelente harmonização com habanos, o vinho do Porto tem diversas categorias, cada uma delas com os seus sabores e aromas próprios. Uma maridagem "perfeita" é quando encontramos o par ideal, no qual a união seja equilibrada, isto é, o habano não pode anular o vinho do Porto e vice versa. Nesse sentido, por terem estilos próprios e diferenciados podemos dividi-los em 4 grupos distintos:

Branco – O vinho do Porto branco pode apresentar aromas florais e frutados nos vinhos mais jovens e aromas mais complexos nos mais envelhecidos. Sugestão de harmonização, habanos de sabor/fortaleza suave.

Tawnys – São vinhos de qualidade elevada obtidos pela mistura da colheita de diversos anos resultando numa cor mais clara, notas de frutos secos e persistência aromática. Sugestão de harmonização para Tawnys inferiores a 10 anos (inclusive), charutos de sabor/fortaleza forte. Para Tawnys superiores a 10 anos, habanos de sabor/fortaleza médio.

LBV  (Late Bottle Vintage) – Provenientes de uma só colheita são engarrafados entre o 4º. e o 6º. ano após a colheita. Tem aromas mais frutados e são mais encorpados na boca. Sugestão de harmonização, habanos de sabor/fortaleza médio a forte.

Vintage – É um vinho de qualidade excepcional proveniente de um só ano. São engarrafados entre o segundo e o terceiro ano pós-colheita. Tem uma tonalidade escura e são bastante encorpados. Com o envelhecimento em garrafa diminui a adstringência, aumentando a complexidade aromática e gustativa. Sugestão de harmonização para Vintages mais recentes, charutos de sabor/fortaleza forte. Para vintages mais velhos, habanos de sabor/fortaleza médio a forte.

Apenas temos que ter em atenção que o casamento deverá ser feito entre produtos de fortalezas similares (possivelmente teremos mais dificuldades nos Rubys, Tawnys inferiores a 10 anos e nos Vintages mais recentes).

C – Pese embora todas as campanhas mediáticas para desincentivar os fumadores, a par dos pesados impostos que os governos aplicam, parece que tem aumentado o consumo de tabaco. É assim?

PR –  Não. Há que destrinçar os fumadores compulsivos de cigarros dos outros que fumam charutos esporadicamente ou só em momentos especiais. Existe uma quebra no mercado dos charutos Premium (100% tabaco, elaborados à mão) devido ao aumento dos preços que derivam constantemente do brutal incremento das cargas fiscais. O aumento de imposto não leva a que as pessoas fumem menos, mas sim que fumem pior, coisas com menos qualidade. As pessoas começam a tentar adquirir charutos no mercado paralelo que na maior parte das vezes é produto falsificado.

C – Tendo a Empor inaugurado recentemente uma loja "La Casa Del Habano" na cidade do Porto, isso deve-se a uma maior procura dos consumidores do norte?

PR – Não, deve-se a um compromisso e a um objectivo de disponibilizar aos nossos clientes do norte uma Casa Del Habano. O espaço fica perto da Avenida dos Aliados, mais propriamente no Edifício Trindade Domus. A loja tem poltronas que propiciam conforto para quem quiser apreciar o seu habano num ambiente cubano e uma variedade de bebidas e acessórios de fumador.

Esta prestigiada rede internacional de lojas especializadas distingue-se, sobretudo, pelo seu serviço premium e diferenciado a cada cliente, pela sua oferta variada em habanos e pelas condições para a conservação do produto.

Oferece também uma gama de serviços e produtos personalizados e o espaço serve como facilitador para quem se interessa pelo assunto e quer aprender mais sobre os produtos, culturas e lendas que envolvem este universo encantador que gira em torno da 'fumaça cubana'.

 

C – Sendo o Pedro Rocha um especialista em tabaco, pode-nos explicar porque se considera o tabaco cubano como o melhor do mundo?

PR – Não sou um especialista em Tabaco, sou um apreciador e amante do mundo dos charutos.

Houve um italiano que escreveu "que quem, numa vida, sentir cinco ou seis vezes o sentimento de felicidade plena, devia considerar-se realizado. Um grande charuto aproxima-nos disso".

No prazer que o charuto nos oferece, existe algo indefinido que nunca deixou de me desconcertar.

O charuto é feito para todos os prazeres, para todos os sentidos, para o olfacto, o palato, o tacto, a visão e para a audição. Um grande charuto traz consigo a promessa de um prazer total. Degustar um bom charuto é reencontrar alguns ritmos esquecidos, restabelecer uma comunicação consigo próprio. Aliás, se o charuto tiver um segredo, é este: nos gestos, dignos, ponderados do fumador de charutos. Observo mais que um hábito: observo uma cerimónia.

Da mesma forma que um bom vinho é definido pelas suas vinhas, o carácter do charuto está intimamente ligado ao solo onde é cultivado o tabaco, ao conhecimento secular dos agricultores e dos torcedores, ao árduo labor das pessoas que diariamente trabalham na sua manufactura. E é a união destes factores que origina a perfeição de um charuto. É por isso que, noutros lugares podem ter sido adquiridas algumas qualidades e até sementes de Tabaco Negro Cubano, mas nunca o dom da natureza dos solos e do clima de Cuba poderá ser encontrado noutro local.

Outro rasgo distintivo é a definição do termo habano. Todos os habanos são cubanos, porém nem todos os charutos confeccionados em Cuba são habanos.

Este título, habanos, é a Denominação de Origem Protegida (D.O.P.) reservada para uma selecção das mais proeminentes marcas cujos tabacos são confeccionados seguindo as mais rigorosas normas a partir de folhas de tabaco, semeadas em zonas determinadas, também protegidas com denominação de origem.

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