Celino Cunha Vieira - Associação Portuguesa José Marti / Cubainformación.- Nos últimos dias surgiu uma situação melindrosa, quando mais de mil cidadãos cubanos foram chegando à Costa Rica a partir de outros países da região, em especial do Equador, com a intenção de chegarem aos Estados Unidos da América e foram barrados na fronteira com a Nicaragua que não permite a sua passagem por este país.


Estas pessoas saíram de Cuba legalmente cumprindo todos os requisitos estabelecidos pelos regulamentos migratórios cubanos e tornaram-se vítimas de traficantes e de organizações criminosas que sem um mínimo de escrúpulos controlam a sua passagem pelos vários países, extorquindo-lhes o pouco que têm e lucrando com o desespero de quem ingenuamente acreditou em facilidades. 

As autoridades cubanas têm mantido o contacto constante com os governos dos países envolvidos, com o objectivo de encontrar uma solução rápida e adequada, que tenha em consideração o bem-estar destes cidadãos. 

Através de comunicado, o Ministério de Relações Exteriores de Cuba enfatiza que estas pessoas são vítimas da politização da questão da emigração por parte do Governo dos Estados Unidos com a Lei de Ajuste Cubano e, em particular, a aplicação da chamada política de "pés secos - pés molhados” a qual confere aos cubanos um tratamento diferenciado e único em todo o mundo, ao admiti-los de forma imediata e automática, sem importar as vias e meios utilizados, principalmente se chegarem por meios ilegais ao seu território. 

Esta política tem estimulado a emigração ilegal de Cuba para os Estados Unidos e constitui uma violação da letra e do espírito dos acordos migratórios vigentes, em que ambos os países assumiram a obrigação de garantir uma migração legal, segura e ordenada. 

Estes emigrantes, que se sacrificaram ao ponto de terem de fazer milhares de quilómetros atravessando vários países, acreditam que a Lei de Ajuste Cubano tem os dias contados e por isso querem chegar aos EUA antes que se acabem os privilégios e passem a ser tratados como quaisquer outros que cheguem indocumentados.

O comunicado afirma ainda que o Governo dos EUA continua a manter em vigor o chamado "Programa especial para profissionais médicos cubanos" aprovado em 2006 pelo presidente George W. Bush, com a finalidade de incentivar os médicos e outros profissionais cubanos de saúde a abandonarem as suas missões oficiais para emigrarem para os Estados Unidos.

Esta é uma prática condenável que visa prejudicar os programas de cooperação de Cuba com outros países, privando-os dos recursos humanos de que tanto necessitam, numa acção incompatível com o actual contexto de conversações bilaterais, impedindo a normalização das relações migratórias entre Cuba e os EUA, assim como com outros países da região.

Todos estes cidadãos que livremente abandonaram o país legalmente, podem a todo o momento também livremente regressar, se assim o desejarem, pois como disse Marti, a Pátria pertence a todos.

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